ANTÓNIO LOBO ANTUNES

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 :: citações - literatura

 

Não creio que haja poucos leitores em Portugal.

fonte: entrevista exclusiva, 18.02.2009

 

Os prémios nada têm que ver com a literatura, no sentido em que não torna os livros bons ou maus, melhores ou piores.

fonte: entrevista exclusiva, 18.02.2009

 

Cada vez é mais difícil ler. Tudo o que leio é pior que aquilo que faço, tenho vontade de começar a corrigir tudo.

fonte: Diário de Notícias, 16.02.2009

 

Ser arte é ser útil.

fonte: Diário de Notícias, 16.02.2009

 

Eu desconfio dos tradutores que não têm dúvidas.

fonte: Ler, Maio de 2008

 

A leitura é uma coisa que se educa. Que se ensina e que se aprende. O problema é que qualquer grande escritor tem de ensinar os seus leitores a lê-lo. O grande juiz acaba sempre por ser o tempo.

fonte: Ler, Maio de 2008

 

Há um punhado de tradutores portugueses de elevadíssima qualidade.

fonte: Jornal de Notícias, 20.01.2008

 

Interessa-me apenas a parte da cultura. É por isso que admiro as editoras pequenas. As grandes, pelo contrário, são máquinas de fazer dinheiro.

fonte: Jornal de Notícias, 20.01.2008

 

Os livros deviam ser publicados anonimamente, sem nome de autor. Isso eliminaria imensos problemas.

fonte: Diário de Notícias, 30.09.2007

 

Ninguém escreve assim. Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares.

fonte: Visão, 27.09.2007

 

Tenho a certeza de que os meus livros são muito mais importantes do que qualquer Nobel que me possam dar.

fonte: Visão, 27.09.2007

 

Um prémio nada tem a ver com a literatura, na medida em que não melhora nem piora os livros.

fonte: Visão, 27.09.2007

 

O que acontece, porém, é que toda essa história das definições de géneros cada vez me interessa menos. Quando se começa um livro, é isso que se quer fazer, um livro, um livro total que tenha tudo, poesia, prosa, tudo: a vida.

fonte: Courrier Internacional, 01.2007

 

Tenho de os ler [aos livros que gosta] duas, três, quatro vezes; há sempre muitas coisas que perdemos na primeira leitura.

fonte: Jornal de Letras, 25.10.2006

 

Como aquilo que aconteceu ao Camões: o que é que eu quero?, é dar trabalho para quinhentos anos aos críticos.

fonte: entrevista na RTP 2, programa Por outro lado, 04.04.2006

 

Eu não sei o que é que é light, sei que é light em relação a cigarros. Há literatura, e não há literatura. Pois a literatura não é isso, é uma coisa nobre, a literatura é o que faz o Dostoievski.

fonte: entrevista na RTP 2, programa Por outro lado, 04.04.2006

 

Eu duvido que um leitor de maus livros vá ler livros bons.

fonte: entrevista na RTP 2, programa Por outro lado, 04.04.2006

 

Eu pergunto-me se é possível entrevistar um escritor. Acho que não é porque ele é muita gente. E é muito difícil apanhar essa multidão toda.

fonte: entrevista na RTP 2, programa Por outro lado, 04.04.2006

 

Os bons escritores são pessoas que não mentem no seu trabalho.

fonte: Visão, 27.02.2006

 

O que me preocupa são os autores que dizem que «puseram os portugueses a ler». Isso é mentira. Puseram, isso sim, os portugueses a lerem-nos a eles - e isso não é ler.

fonte: Visão, 27.02.2006

 

Um bom livro é o que foi escrito só para mim.

fonte: Diário de Notícias, 17.02.2006

 

Um bom livro ajuda-te, ilumina-te, dá-te a beleza que não encontras em ti. Agora, por exemplo, já se começa a ler aos doentes enfermos. A arte pode ajudar a salvar-te a vida.

fonte: Agência Lusa, 10.11.2005

 

Ainda que o tradutor tenha génio, uma tradução é sempre uma foto a preto e branco de um quadro.

fonte: Agência Lusa, 10.11.2005

 

Um bom livro tem a sua própria chave e o seu manual de instruções.

fonte: Agência Lusa, 10.11.2005

 

Qualquer entrevista é muito inferior a um livro. O livro permite corrigir-se. A entrevista necessariamente está cheia de lugares comuns.

fonte: Público, 09.11.2004

 

Temos de aceitar que há livros muito bons de que não gostamos e livros de que gostamos que podem não ser bons.

fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004

 

Saber ler é tão difícil como saber escrever.

fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004

 

Seria incapaz de dizer mal de um livro. Mesmo que o livro fosse desonesto, mesmo que o livro fosse mau, não falaria sobre ele. Portanto, se fosse crítico literário era uma maçada porque quase não tinha sobre que escrever.

fonte: Diário de Notícias, Novembro 2003

 

As pessoas compram aquelas coisas [livros] que falam sobre o hoje e quando o hoje se tornar ontem já ninguém vai ler aquilo.

fonte: Diário de Notícias, Novembro 2003

 

Ler é um acto de prazer.

fonte: Diário de Notícias, 2003

 

Creio que os escritores em geral não trabalham muito os seus livros, não os corrigem. E é uma pena porque, por vezes, trata-se de uma única palavra, mas uma palavra que pode ser fundamental.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

 

Com cada novo livro afloram todas as fragilidades e problemas do escritor.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

 

O autor não deve ser protagonista do seu livro porque o leitor não tem de notar que o escritor está ali, este tem de se tornar invisível.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

 

Tenho uma enorme inveja dos poetas. [...] Ninguém escreve romances como eu, mas sou um poeta falhado. [...] Talvez os bons romancistas sejam poetas falhados. Não sei.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

 

Não existem livros maus, para mim, um livro merece sempre respeito. Há tanta esperança, por vezes sofrimento e até a saúde do autor... Eu agradeço os livros que me mandam, antes de os ler, para não ter de mentir, porque as pessoas não têm sentido autocrítico. Se lhes digo: «Eu não gostei do seu livro...», confundem-se a eles com o produto e consideram-no como algo pessoal. Se fosse crítico, criticaria só os livros de que gostasse, porque se pode fazer muito mal, as pessoas ficam muito mal quando recebem uma crítica adversa; é muito doloroso.

fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

 

A única forma de abordar os romances que escrevo é apanhá-los do mesmo modo que se apanha uma doença.

fonte: Segundo Livro de Crónicas, 2002

 

Muitas vezes, põem-se meninos e meninas de vinte anos a escrever críticas. E há outros que também escrevem romances. É muito raro aparecerem bons romances antes dos trinta anos, muito raro. Um tipo só pode fazer uma coisa de jeito depois de ter passado pelas coisas. Se não viveu, os livros até podem estar «tecnologicamente» correctos, mas não há ali mais nada. A experiência de vida cada vez mais me parece fundamental.

fonte: Ler, 1997

 

Faz-me imensa confusão a polémica crítica versus escritores. Para mim, o problema é muito simples: a maior parte dos escritores não sabem escrever e a maioria dos críticos não sabe ler. E também há muita ignorância e má-fé de parte a parte. A sensação que tenho é que ando há que tempos a ensinar os meus críticos a ler e eles não há meio de aprenderem.

fonte: Visão, 26.09.1996

 

O que me interessa são pessoas que tenham uma espessura de vida. Interessa-me pouco o romance filosofante, esses livros imóveis onde as personagens são todas cérebro e não têm vida, nem sangue, nem esperma.

fonte: Diário de Notícias, 27.04.1994

 

Eu penso que em literatura não há palavrões.

fonte: Jornal de Letras, 05.04.1988

 

Mas houve livros chatos como o da Agustina Bessa Luís e o do Virgílio Ferreira que os académicos e os universitários devem achar muito bons, eu, como não sou nem académico nem universitário acho-os terrivelmente chatos.

fonte: Jornal de Letras, 1984

 

Em Portugal, se quiserem uma boa crítica escrevam um livro obscuro, que ninguém vai ler, que ninguém vai comprar: dirão bem de vocês, porque não são um potencial concorrente...

fonte: Francis Utéza, Seminário de Montpellier da Universidade Paul-Valéry, Novembro 1983

 

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José Alexandre Ramos

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