ANTÓNIO LOBO ANTUNES

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«Os livros em Portugal são indecentemente caros», criticou António Lobo Antunes

 

 

O escritor António Lobo Antunes considerou sábado no Porto que os livros em Portugal são "indecentemente caros", referindo que "há países com maior poder de compra onde são muito mais baratos", como Alemanha, Holanda e Noruega.

 

O autor de "Arquipélago da Insónia", publicado este ano e que já vai na sétima edição, falou durante a cerimónia em que recebeu o Prémio Clube Literário do Porto, com um valor pecuniário de 25.000 euros.

 

Lobo Antunes, de 68 anos, foi apresentado pelo jornalista, comentador e professor Carlos Magno como um autor que "escreve sobre a contemporaneidade como poucos o fazem neste país", fazendo uso de uma "ironia absolutamente a toda a prova".

 

O escritor disse que não podia deixar de estar no Porto para receber o prémio, por ter "uma dívida de gratidão muito grande para com a cidade", que vem do tempo em que esteve internado num hospital lisboeta, a lutar contra um cancro.

 

"Quando há dois anos estive muito doente, recebi sete, oito mil cartas e a maior parte eram do Porto. Isso é uma coisa que nunca poderei pagar", explicou.

 

O autor falou sobre a sua doença, a morte, a escrita, a cultura, a guerra, o preço dos livros, entre outros temas.

 

Disse por exemplo que os governos pouco têm feito pela cultura desde o 25 de Abril de 1974.

 

"Quem tem trabalhado com a cultura são as autarquias e são fundações" como aquela a que está ligado o Clube Literário do Porto, a Fundação Dr. Luís de Araújo, defendeu.

 

Como autor, o que o move é "tentar colocar em palavras o que por definição é impossível contar em palavras, como as emoções ou os impulsos".

 

Lobo Antunes evocou Ernesto Melo Antunes, que foi um dos ideólogos do 25 de Abril e morreu há nove anos, tendo mantido com ele uma grande amizade.

 

"A morte de um amigo é uma coisa irreparável", resumiu, para depois acrescentar que "o que aparece nos livros são estas coisas todas, ou seja, a vida".

 

"Os portugueses vivem tão mal e os livros são tão indecentemente caros!", criticou, em seguida, frisando que "que quem lê não são as classes altas, é a classe média baixa, como se pode observar nas feiras do livro".

 

O presidente da Fundação Dr. Luís de Araújo, Augusto Morais, ofereceu a Lobo Antunes um elefante prateado, que definiu como sendo "uma provocação à memória" do escritor.

 

O autor de "Memoria de Elefante", o seu primeiro livro, lançado em 1979, recordou que ninguém, na altura, queria publicar este livro, que acabou por ser um êxito editorial.

 

Perante uma plateia constituída por várias dezenas de pessoas, entre elas muitos jovens, Lobo Antunes falou sobre a sua experiência enquanto doente com um cancro, dizendo que viveu então "uma mistura de sentimentos" e que passou depois "dois meses sentado numa cadeira, completamente vazio".

 

Segundo Lobo Antunes, a doença deu-lhe outra perspectiva sobre a vida.

 

"A gente passa a jogar com as cartas para cima; não há nada para esconder", sustentou.

 

António Lobo Antunes revelou à comunicação social que poderá haver um novo livro seu "talvez para o fim do ano que vem".

 

"Não depende só de mim, penso que sim, se for capaz de o acabar", completou.

 

O Prémio Clube Literário do Porto tem "um significado muito maior do que um prémio no estrangeiro, por maior nome que o prémio tenha".

 

"É para as pessoas do meu país que eu escrevo", justificou.

 

Esta é a quarta edição do Prémio Clube Literário do Porto, que nos anos anteriores distinguiu os escritores Mário Cláudio, Armando Baptista Bastos, e Miguel Sousa Tavares.


 

Lusa

 

citado do Jornal de Notícias

28.12.2008

 

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Lobo Antunes recebeu a medalha de ouro da Câmara das Caldas

 

 

O escritor António Lobo Antunes voltou às Caldas da Rainha no passado dia 12, mostrando publicamente um carinho especial por Isabel Castanheira, proprietária da livraria 107, que o trouxe a esta cidade pela quinta vez. Antevendo uma grande adesão a esta iniciativa, a direcção do CCC entendeu realizar a iniciativa na sala multiusos, conseguindo assim albergar mais de 150 pessoas.

 

Na reunião de Câmara das Caldas da Rainha de 9 de Dezembro foi aprovada a atribuição da medalha de mérito municipal, grau ouro, ao escritor. O presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, fez as honras e entregou a medalha a António Lobo Antunes, salientando que “é um dos melhores escritores portugueses, por isso o município quis fazer este reconhecimento”.
 

Olhando para a sala cheia de admiradores do escritor, o autarca afirmou que “a assistência é prova que esta medalha é merecida”.
 

António Lobo Antunes esteve no CCC das Caldas da Rainha para apresentar o seu último livro, “Arquipélago da Insónia”, mas a conversa dispersou-se de tal forma que o escritor falou de tudo menos dessa publicação. Começou por agradecer a medalha, salientando que todas as homenagens que lhe são feitas em Portugal têm um significado especial.
 

“Esta é a minha terra, este é o meu povo. É para as pessoas do meu país que escrevo”, referiu. O autor acha que Portugal é um país extraordinário sobre todos os pontos de vista. Para além disso, está muito ligado afectivamente às Caldas da Rainha, onde passou algum tempo na sua infância, e por isso gostou muito da medalha que recebeu.
 

Não se coibiu de falar sobre quando teve cancro, relembrando as sessões de quimioterapia e a coragem de outros doentes que conheceu. Uma coisa é certa: “Saiu deste susto um homem diferente e com vontade de ser mais sincero e de amar”.
 

António Lobo Antunes foi muito crítico das editoras portuguesas, em especial dos grandes grupos que foram criados recentemente. Nem o grupo Leya, que comprou a Dom Quixote e edita os seus livros, foi poupado às críticas. Revelou mesmo que está arrependido por ter assinado por aquele grupo.
 

 “É terrível distinguir a verdadeira literatura de todo o entulho que a encobre”, referiu, sublinhando a importância dos livreiros, como é o caso de Isabel Castanheira.
 

Não dá muita importância aos prémios que tem ganho como melhor escritor, referindo que “não me sinto como um dos melhores em nada. Tento fazer a única coisa que sei fazer, que é escrever. Escrever por aqueles que não têm voz”, acrescentando que quando lança um novo livro já vende automaticamente. “Já sou marca registada como os cereais que comemos de manhã”, gracejou.
 

Falou da cultura, referindo que no País quem continua a fazer alguma coisa pela cultura são as autarquias. “Até os municípios mais pequenos fazem mais para a nossa cultura do que o Ministério”, manifestou.
 

Também proferiu umas palavras sobre o futebol, sublinhando que “já não gosto” porque “deixou de ser um desporto, para ser uma Indústria”. “Tenho muita pena que seja assim”, lamentou.
 

A audiência ficou a saber que actualmente está a rever a primeira versão do seu próximo livro que deverá sair em 2009, embora não tenha adiantado pormenores sobre esse novo projecto.
 

A vinda do escritor às Caldas da Rainha “valoriza o meu currículo livreiro”, reconheceu Isabel Castanheira, não poupando elogios a Lobo Antunes. “Escritor fascinante. Senhor de um trabalho ímpar de destreza escrita. Detentor de uma personalidade vincadamente literária”, disse.
 

No último Café Literário de 2008, Isabel Castanheira agradeceu à direcção do CCC todo o apoio recebido nos eventos que quis organizar naquele local.
 

por Marlene Sousa

 

 

“Qualquer sinal de estímulo no país me comove”

No final do Café Literário organizado pela Livraria 107, o escritor António Lobo Antunes, depois de assinar mais de duas centenas de livros dos presentes, declarou que se sentiu muito honrado com a homenagem feita pela autarquia das Caldas.
 

“Tudo o que se passa no meu país me comove. Qualquer sinal de ternura, estímulo e amizade comovem-me mais do que no estrangeiro. E as Caldas da Rainha é uma cidade a que estou afectivamente muito ligado”, afirmou.
 

O escritor agradeceu ao público presente e todos aqueles que compram as suas obras, ao referir que “as pessoas têm sido muito generosas comigo”.
 

Também satisfeita com esta distinção, estava Isabel Castanheira, a proprietária da Livraria 107. “Sinto-me muito orgulhosa pelas Caldas da Rainha, porque lhe conferiram a medalha de ouro. Afinal de contas é homenagear quem é um bom escritor e um bom artista de renome, não só europeu como mundial. As Caldas da Rainha, como cidade de arte e cultura, ao conferir uma medalha a um homem destes, com um currículo vasto e conhecido, é bom para quem recebe, mas é prestigiante para a cidade que soube escolher a quem deu a medalha”, declarou.
 

Isabel Castanheira considerou “prestigiante” para o seu estabelecimento estar associado a este momento, que classificou de “satisfação pessoal”.
 

A crítica já considerou o último livro de António Lobo Antunes, publicado pela editora Dom Quixote, como um livro magnífico e comovente.
 

Licenciado em Medicina, com especialização em Psiquiatria, Lobo Antunes exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa até 1985. Desde essa altura dedica-se exclusivamente à escrita.
 

Ao longo da sua vida recebeu várias distinções, destacando-se os prémios “Camões” (2007) (o mais importante galardão literário de língua portuguesa), “Jerusalém” (2005), “União Latina” (2003) e “José Donoso” (2008). O romance “Ontem não te vi em Babilónia” foi considerado como o melhor livro de ficção publicado em Espanha em 2007.

 

por Carlos Barroso

 

citado do Jornal Regional

17.12.2008

 

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Entrevista polémica a jornal mexicano: Lobo Antunes fala da Guerra Colonial

 

 

Tinha jeito para matar e não sente remorsos pelo que fez em Angola: é assim António Lobo Antunes, polémico na cidade mexicana de Guadalajara, onde se deslocou para receber o prémio da Feira Internacional do Livro de Línguas Românicas, e falou da sua experiência na Guerra Colonial.

 

"Eu tinha talento para matar e isso foi a coisa mais terrível que me aconteceu. Para morrer e para matar, eu era bom", disse o escritor ao diário ‘La Jornada’, descrevendo a luta em Angola como uma "guerra de crianças" (por causa da idade dos soldados) e falando do impulso para a vida que, durante um conflito, se sobrepõe a tudo.

 

"Na guerra, não te questionas se aquilo que estás a fazer é justo ou injusto. A única coisa que importa é sair dali vivo", afirmou, confessando que, para ser transferido para uma zona mais calma, o seu batalhão matou indiscriminadamente.

 

"Matava-se tudo, não se faziam prisioneiros e, do outro lado, era a mesma coisa. E o pior é que não sinto culpa", concluiu o escritor.

 

por Ana Maria Ribeiro

 

Correio da Manhã

08.12.2008

 

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Quatro prémios e uma medalha de honra só em 2008

 

 

António Lobo Antunes recebeu, no sábado, na cidade mexicana de Guadalajara o Prémio Juan Rulfo, pela primeira vez atribuído a um escritor português.

 

José Mendez/ epa (Correio da Manhã)

 

Foi o quarto prémio deste ano, no valor de 118 mil euros, o que eleva para 235 mil euros o que já recebeu em 2008. Aos prémios literários, Lobo Antunes soma ainda as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e Letras Francesas.

 

O Prémio Juan Rulfo, também chamado de Literatura e Línguas Latinas, foi atribuído ao escritor durante a Feira do Livro de Guadalajara, tida como o maior encontro editorial em língua espanhola.

 

Nesta edição, centrada nos 80 anos de Carlos fontes e nos 50 do seu romance ‘La Région Más Transparente’, a vedeta foi outra.

 

No seu discurso de agradecimento, Lobo Antunes atribuiu a importância da sua obra a dois episódios da sua vida, a saber, a Guerra Colonial em Angola e, no regresso a Portugal, o hospital psiquiátrico onde exerceu. Num caso como no outro, aprendeu muito e chegou mesmo a falar em ‘mestres’... 'Um doente esquizofrénico deu-me a melhor definição do que deve ser a literatura ao dizer-me: ‘Doutor, o Mundo foi feito do avesso’', recordou.

 

'O meu segundo mestre foi África que conheci durante a guerra. Os africanos têm um sentido do tempo distinto do nosso. Tudo é presente. O tempo é a minha angústia maior', revelou.

 

Sobre 2008, ano que ameaça ficar para a História da Literatura como ‘o ano de Lobo Antunes’, comentou por ocasião do Prémio Donoso, que pela primeira vez distinguiu um europeu: 'Digo a mim mesmo que um prémio não faz a literatura melhor nem pior do que já é, mas não é verdade. Recebi muitos prémios e, por vezes, sinto-me um cavalo de corrida.'

 

Não menos curioso é o desabafo do escritor no passado dia 20, por ocasião do novo livro, ‘Arquipélago da Insónia’: 'Os prémios não são dados a quem os merece nem pelas melhores razões.'

 

 

por Dina Gusmão

 

Correio da Manhã

01.12.2008

 

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António Lobo Antunes recebe prémio na XXIII Feira Internacional do Livro

 

Guadalajara, 29 Nov (Lusa) - O escritor português António Lobo Antunes recebe hoje, na cidade mexicana de Guadalajara, o Prémio Literatura em Línguas Romances 2008, no primeiro dia da XXII Feira Internacional do Livro, que tem Itália como país convidado.

 

O galardão, no valor de 118 mil euros, é atribuído ao autor de "Eu Hei-de Amar uma Pedra", por a sua obra conter "uma profunda reflexão sobre a experiência interna dos seres humanos".

 

ler artigo completo >>

 

Lusa

29.11.2008

 

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«O livro trata do que vai escrito dentro»

 

O Casino da Figueira foi palco do lançamento nacional da mais recente obra de António Lobo Antunes, “O Arquipélago da Insónia”
 

A apresentação do último romance de um dos mais reconhecidos escritores da literatura portuguesa, esteve a cargo de Ana Paula Arnaut que recentemente lançou no Palácio Sotto Maior, também na Figueira da Foz, o livro “Entrevistas com António Lobo Antunes”.
 

Ladeada do autor e de Pedro Sobral (em representação da D. Quixote) e da editora Teresa Coelho, Ana Paula Arnaut apresentou a obra, no final da tarde de sexta-feira, «com a inteligência dos sentidos», considerou Lobo Antunes no final da apresentação.
 

«A ficção “antuniana” dá-nos a ideia de estarmos no eterno presente em que nada acontece ou onde tudo acontece. As histórias contadas obrigam a uma busca, a uma procura de fios condutores que o “leitor” por vezes não entende», exaltou Ana Paula Arnaut, uma vez que «apesar das diferenças entre os livros de António Lobo Antunes, não podemos deixar de ver a obra do autor como um fio único». Em “O Arquipélago da Insónia” o romancista «parece ter conseguido o intimismo quase absoluto que em tantas alturas exaltou querer alcançar», com uma linguagem «despojada de ruído».
 

Ao contrário dos romances anteriores a 1994, «esta obra mostra um autor que parece ter alcançado o desejo de reduzir o livro ao osso», considerou Ana Paula Arnaut, referindo-se ao livro como um «mar em que desaguam muitas das obsessões temáticas de livros anteriores, nomeadamente a desagregação e falência da família, a miséria, o abandono, o vazio de tudo e de todos. Uma infância nem sempre feliz ou quase sempre infeliz. Afectos suspensos e desabafos violentos». No entanto é importante perceber que «ao contrário dos outros romances do autor a ideia de morte não é unicamente encarada como disfórica», embora estejamos perante um «texto de índole nocturna».
 

«É tão difícil sermos entendidos nos livros e na vida, que nos leiam com os olhos do coração e nos ouçam com os ouvidos do coração», começou por exprimir António Lobo Antunes, explicando a «inteligência dos sentidos» com que “adjectivou” a apresentação de Ana Paula Arnaut. «É impossível falar de um livro que nós fizemos. Eu estou lá dentro e vou estar em todos», o que faz com que «falar ao mesmo tempo por dentro e por fora do texto seja muito difícil». «O livro trata do que vai escrito dentro», resumiu o romancista. Confessando a “impossibilidade” de “decifrar” aos olhos de quem o lê, o que vai dentro das páginas da sua obra, Lobo Antunes sublinhou que «escrever é muito solitário. Quase nunca encontramos as caras que nos lêem e as coisas melhores que os livros nos trazem são os amigos desconhecidos». «Só os amigos podem ser cruéis e isso ser importante para nós», salientou ainda, referindo-se à “amiga” Teresa Coelho, da editora D. Quixote, e ao seu «olhar impiedoso que é a única maneira de melhorar o meu trabalho».
 

O autor afirmou também que é para os portugueses que escreve, «para as pessoas que têm o privilégio de falar a língua portuguesa, para as pessoas do meu país, e graças a Deus somos poucos».
 

“Quem salta do céu cai no tecto do inferno” e esta «é um pouco a história da minha vida, carregada de um sentido de missão e culpabilidade sempre muito grande. Aquilo que gostaria era entrar no coração do coração», confessou, acrescentando que «a nossa única forma de salvação está na arte».
 

A apresentação da mais recente obra do romancista, “O Arquipélago da Insónia”, terminou com uma actuação de Vitorino, que se propôs com a sua música «a dar cor às palavras» de António Lobo Antunes.

O autor regressa a panoramas naturais

Em “O Arquipélago da Insónia” o autor regressa geograficamente a dois panoramas naturais que lhe dão prazer: o bucólico interior de um Ribatejo cujo rio que o atravessa desagua na Trafaria. É aqui, nestas duas localizações, que prende as personagens ao correr de uma divisão em três partes e fá-lo em apenas metade do espaço que habitualmente dedica à sua narrativa: 263 concisas páginas.
 

O romancista licenciou-se em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Esteve destacado em Angola durante três anos (1970-1973), experiência que marcou os seus primeiros romances. Exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa, dedicando-se  desde 1985 exclusivamente à escrita.
 

Lobo Antunes tem os seus livros publicados em vários países do mundo, sendo um dos escritores portugueses de maior projecção internacional. Tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, vendidos e traduzidos em todo o mundo e o seu nome surgiu muitas vezes como um possível “candidato” ao Prémio Nobel da Literatura.

 

 

por Carina Valério

 

 

citado de Diário de Coimbra

20.11.2008

 

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Lobo Antunes vai escrever trilogia

 

foto de Mariline Alves - Correio da Manhã

 

O escritor António Lobo Antunes anunciou ontem que ‘O Arquipélago da Insónia’, romance que lançou há um mês, é o primeiro de uma trilogia "fora de Lisboa". Depois deste, cuja acção decorre no Alentejo, seguir-se-ão o Ribatejo e a Beira Alta.

 

Contudo, "escrever está cada vez mais difícil", afirmou António Lobo Antunes, já de viva voz, sobre a angústia da página em branco que o acompanha a cada novo livro. "Há dias escrevi, sem saber que escrevia, ‘se saltares do Inferno cais no telhado do Céu’. Ainda hoje não sei o que isto seja mas é isto que sinto e é assim que quero escrever. Os maus romances contam-nos histórias, os bons contam-nos a nós próprios", disse na sessão de apresentação que decorreu numa sala do Cinema S. Jorge.

 

"Não estou a ser correcto, julgo que tive um amigo", lia-se na tela. Mas a realidade não imitou a ficção e foram mais os presentes, nomeadamente o casal Eanes e o actor Rui Mendes, a mãe e a tia do escritor, e muita gente anónima. Seguiu-se a projecção de uma entrevista, em que disse o que vai sendo hábito: "Sei que ninguém escreve como eu, mas isso não me traz alegria."

 

De igual modo, ao comentar prémios e distinções de que este ano foi alvo – cinco no total – diria: "Tudo isto é muito inquietante porque, reparem, os prémios não são dados a quem os merece nem pelas melhores razões."

 

Acompanharam António Lobo Antunes na apresentação de ‘O Arquipélago da Insónia’ em Lisboa os escritores Gonçalo M. Tavares e Rui Cardoso Martins e, ainda, o director editorial do Grupo Leya, João Amaral.

 

por Lina Gusmão

 

 

citado de Correio da Manhã

20.11.2008

 

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Lobo Antunes lançou seu novo romance

 

"O Arquipélago da Insónia", o mais recente livro de António Lobo Antunes, teve lançamento nacional, no Casino da Figueira da Foz. Na presença de mais de 200 pessoas, Ana Paula Arnaut fez a apresentação da obra.

 

É a história das vidas de uma casa a quem tudo falta, o vazio de tudo e de todos, inclusivamente de Cristo e de Deus e que o escritor considera ser o primeiro de uma trilogia dedicada ao mundo rural português.

 

O Alentejo é a região do país pela qual António Lobo Antunes faz uma primeira viagem. Diz estar a escrever sobre o Ribatejo e seguir-se-á a Beira, provavelmente a Beira Alta.

 

A voz do altista, a figura central do livro, era a única coisa que António Lobo Antunes diz que tinha quando começou a escrever o livro. "Uma voz sem nome, são as vozes que existem dentro de nós", afirma o autor que diz ser difícil falar de um livro por está lá dentro e por isso apenas gosta de escrever "para as pessoas que me lêem e para as pessoas do meu país".

 

António Lobo Antunes revelou durante esta apresentação que num recente exercício de memória e luta travada para resolver o problema de um parágrafo em insolvência acabou por escrever uma frase que horas depois veio a considerar que talvez seja o resumo da sua vida e dos seus livros. "Quando salto do céu, caí no tecto do inferno".

 

A plateia sobressaltou-se com a revelação do escritor que logo aproveitou a veemência da sala para lançar críticas ao mundo literário que considera ser "uma estrebaria de porta aberta" por onde passa muito lixo.

 

O homem para quem o "Monte dos Vendavais" de Emily Brontë, é o livro, um daqueles que retrata o silêncio e provoca um ruído inquietante e insónias, as características que mais aprecia e o desafiam numa obra, disse que aos 13 anos tinha sonhos de glória. Hoje alimenta apenas a pretensão de ter uma mão feliz que o retrate a ele mesmo. Considera que os romances maus contam histórias, "os bons são os que nos mostram a nós mesmos".

 

"Quando a mão é feliz é uma alegria para o leitor", salienta o escritor consagrado pela crítica, prémios literários que diz serem bem-vindos, "sobretudo quando vêm com dinheiro, mas temo que não sejam atribuídos pelas razões mais válidas. Normalmente os prémios não são dados a grandes escritores".
 

Vitorino cantou Lobo Antunes no final da apresentação do livro do amigo escritor para quem escrever é cada vez mais difícil. "Sou um principiante e hei-de ser um principiante até morrer".

 

por Licínia Girão

 

 

citado de Jornal de Notícias

16.11.2008

 

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Casino Figueira recebe o lançamento nacional do último livro de António Lobo Antunes

 

fonte: O Figueirense

 

É a maior operação de sempre na Figueira da Foz no âmbito da divulgação literária. Uma gigantesca operação de marketing preparou o lançamento nacional, hoje às 18h30, do mais recente livro do escritor António Lobo Antunes, “O Arquipélago da Insónia”.

 

Para além dos mais comuns mupies, o lançamento foi anunciado, nas últimas semanas, nos mais variados espaços públicos da Figueira da Foz. De um outdoor gigante à entrada da Cidade às dezenas de molduras de rua com citações do livro e uma foto do escritor, passando pelo cubo gigante que, no Centro Comercial Foz Plaza, convida a uma viagem multimédia pelo mundo deste “Arquipélago”, até à insólita exposição no hall principal do Casino Figueira, tudo foi feito para que o evento seja o mais concorrido de sempre. Foram ainda especialmente criados para o lançamento (com entrada livre) convites colocados num envelope negro, onde uma moldura parece sublinhar que este será um lançamento que ficará na memória de todos e de cada um. A apresentação de “O Arquipélago da Insónia”, com a chancela da Dom Quixote, estará a cargo da Professora Catedrática Ana Paula Arnaut, mas estão prometidas outras presenças de vulto, neste evento cultural publicitado também em Coimbra, Lisboa e Porto.

 

(...) As páginas de O Arquipélago da Insónia não ecoam só personagens, temas e motivos dos romances anteriores; nelas, António Lobo Antunes parece ter conseguido o silêncio, o intimismo, (quase) completo, absoluto, que, em diversas ocasiões, disse querer alcançar. Esta sensação não decorre apenas do facto de as personagens parecerem falar para dentro de si mesmas, ou de os substantivos “silêncio” e “fantasmas” percorrerem todo o romance, ou, ainda, de a determinado momento, pela voz do autista, ficarmos a saber que “isto não é um livro, é um sonho” (p. 193)... e os sonhos não têm sons. Para o silêncio a que nos referimos concorre, ainda, o uso de uma linguagem substancialmente despojada do que muitos leitores classificam como ruído e que o próprio Lobo Antunes designa por “gordura” ou “banha”, referindo-se à excessiva utilização de metáforas, comparações, adjectivos, advérbios de modo, etc.. Ao contrário dos livros anteriores, principalmente daqueles publicados até A Morte de Carlos Gardel (1994), onde proliferam imagens de variável ousadia linguística e semântica, este romance mostra um autor que, finalmente, parece ter conseguido alcançar o desejo de reduzir o livro ao osso.


Isto significa que o romance poderá representar o encerramento do que designamos por ciclo das contra-epopeias líricas ou, numa outra hipótese, inaugurar um novo ciclo (um novo “contínuo”), talvez o do silêncio, ou uma outra maneira de dizer as coisas, as vidas, as pessoas e as emoções.
 

Seja qual for a situação, que o próximo título ajudará, com certeza, a esclarecer, a verdade é que não conseguimos deixar de ler O Arquipélago da Insónia como uma fronteira, ou como um mar onde desaguam, em admirável confluência, muitas das obsessões temáticas e das técnicas utilizadas nos romances anteriores. (...).
 

Ana Paula Arnaut

 

 

citado de O Figueirense

14.11.2008

 

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Lançamento nacional do "O Arquipélago da Insónia"

 

É já 14 de Novembro que a Figueira da Foz recebe o lançamento Nacional do Livro “O Arquipélago da Insónia” de António lobo Antunes. É às 18h30 no Casino Figueira, com entrada livre.

 

Com apresentação de Ana Paula Arnaut, o lançamento nacional do mais recente livro de António Lobo Antunes, “O Arquipélago da Insónia”, está a ser preparado com uma um grande campanha de comunicação, levada a cabo pelo Casino Figueira, juntamente com as Publicações D. Quixote. Excertos da obra e peças de mobiliário foram alguns dos meios encontrados para aguçar a curiosidade dos leitores.

 

No Foz Plaza na Figueira, no Dolce Vita em Coimbra


Os centros comerciais Foz Plaza, na Figueira da Foz, e Dolce Vita, em Coimbra, já têm o “Espaço Lobo Antunes”. Em cada uma daquelas superfícies comerciais, um cubo gigante com entrada livre convida a uma visita. Lá dentro, um jogo de espelhos e de frases soltas transformam o espaço num encontro entre os estados de vigília e de sono. Paralelamente, a própria voz de Lobo Antunes faz-se ouvir, levando o visitante a descobri-lo, numa janela aberta para outro patamar desconhecido.
 

Também no Casino Figueira a promoção do evento é já visível. Na fachada, quatro molduras de grandes dimensões enquadram excertos do livro de Lobo Antunes, enquanto, no hall, uma exposição dá continuidade a esta história sobre a qual o próprio Lobo Antunes falará na próxima sexta-feira. Também nas ruas, com mupies, e à entrada da Cidade, com um outdoor gigante, a Figueira da Foz se prepara para receber Lobo Antunes.
 

Registe-se, no entanto, que esta campanha de lançamento do livro está ainda a decorrer nas principais cidades do país (Lisboa, Porto).

 

 

artigo de Andreia Gouveia

citado de O Figueirense

07.11.2008

 

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