Este espaço é reservado a textos dos
leitores que pretendam fazer uma dedicatória a António Lobo Antunes, via
e-mail (alawebpage@gmail.com). Não
garanto que estes textos sejam lidos pelo escritor, nem lhe serão
reencaminhados. Não serão aceites textos com teor injurioso, com
linguagem obscena, ou outra particularidade que exponha demasiada e
inadequadamente a pessoa de António Lobo Antunes e sua família. Os textos aqui
publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores.
Amanhã Logo Se Vê...
Caro António
Que ganho eu em não ser artista? Quer
dizer: ganho só os malefícios? Sofro desalmadamente como eles.
Aguento a solidão como eles. Só não escrevo, nem pinto, nem esculpo,
nem fotografo, nem nada como eles.
Conheces algum artista feliz? Boa
pergunta. Mas olha: que me lembre agora, não. Mas se o dilema está
entre ser artista ou ser feliz eu não teria motivo para não o ser. A
ti também não te acho muito feliz. Mesmo quando te vejo nas
fotografias parece-me sempre que não estás lá. Está só a imagem,
como se tu tivesses fugido antes da máquina disparar. Não se percebe
o que quero dizer mas não sei explicar melhor. E nas entrevistas
deixas-me a mesma sensação de enfado, de quem está cansado de tudo.
Pareces-me, às vezes, um bocado farto de ti. Se calhar eu é que
quero pensar assim mas é porque isso me acontece amiúde. De qualquer
modo, segues a regra: ou se é feliz ou se é artista. E tu és artista
e dos maiores.
Achei-te há tempos, nas tuas crónicas.
Tenho livros teus nas estantes. É fino. Talvez as crónicas me façam
fome de te ler. Hoje acho que era de caras. Mas os teus livros
ficaram na casa do Algarve. Fica para o fim-de-semana. Só que acho
que isto não é uma questão de fome. Onde é que eu vou arranjar
cabeça onde tu caibas? Bem vês, a culpa não é minha. Ou, para dizer
melhor, não é só minha. Cada um tem o que a vida lhe quer dar (não o
que merece, como dizem, porque eu tenho a mania que merecia mais).
Não me habituei a ler na altura devida. Ninguém me ensinou, ninguém
me estimulou. Havia mais (e muito diferente) para fazer. Digo ler
coisas de mais fôlego, com mais conteúdo e dimensão. Vá lá que, como
disse, leio, por exemplo, as tuas crónicas. Se leio…
Mas, dizia eu, achei-te nas crónicas. Por
elas mantemos um contacto regular. Até me fizeste inventar uma nova
forma de ler a revista. Abro-a e vou directo à crónica. Depois volto
ao princípio e vejo no índice se há mais alguma coisa que me
interesse especialmente. Só depois vai o resto. É leitura para aí
para dois serões.
Na crónica de hoje vejo que tenho alguns
dos defeitos do pessoal da escrita. Sofro que me desunho, não é
invulgar andar de copo na mão e não raro sou mais solitário entre a
gente do que quando estou sozinho. Depois vá de me achar
incompreendido, mal amado, sei lá que mais. E a crónica a abrir-me
horizontes e a fazer-me pensar que tenho alguma coisa em comum com
aquela gente. Mas só nos malefícios, já disse. O destino deste
escrito é o mesmo do da tal segunda parte das Almas Mortas do Gogol.
Só que isso não me vai tornar nem mais nem menos célebre. Ninguém
vai dizer: fulano escreveu uma coisa para o Lobo Antunes e depois
rasgou-a. Quem é que quer saber disso? Mas estou a sentir-me tão
bem que não me importo de mais nada. A gente tem esta cumplicidade
regular e já nos conhecemos razoavelmente. Claro que isso não me dá,
nem de perto nem de longe, direito a este tratamento por tu. Mas dá
mais jeito à escrita e, de qualquer forma, tanto faz. Se é para
rasgar o que é que isso interessa? De qualquer modo nós devemos ser
moços para idades semelhantes. Tu volta e meia falas de Angola e da
tropa e eu fui dos primeiros a serem mandados para lá. De maneira
que devo ser mais velho. Não me apetece ir ver a tua idade à
Internet (a Internet é que sabe tudo) para não perder o fio à meada
(eu sei que não há meada nenhuma, estou só a armar-me). Mas pela
idade não há problema. Por seres doutor também não porque não
me pareces lá muito praticante. E depois o susto que apanhei
quando soube que te andavam a cortar para te tirarem qualquer coisa
que te dava problemas também me dá alguns direitos. Se a gente sofre
por alguém é porque tem alguma coisa a ver com ele… A propósito: foi
impressão minha ou também te assustaste um bom bocado?
Tradicionalmente vocês, os médicos, são mais cagarolas que
nós, os ignorantes.
Seja como for não é só o tal de
Apollinaire que tem direito a pedir piedade. No meio daquela gente
toda que se esfalfou para deixar obra (e que referiste na crónica de
hoje) há loucura que chega para meio mundo. E sofrimento. Mas, como
bem referes, antes de piedade merecem gratidão. Fique então a
piedade para mim que encho gavetas de escritos que só vão servir
para dar trabalho aos que cá ficarem. Se calhar vão ter pena de os
queimar não vá eu estar a vê-los.
Hoje não me apetece rasgar o escrito.
Amanhã logo se vê…
Joaquim Barão Rato
PS: Depois de ter escrito isto (juro que
foi só depois) descobri um sítio na Internet que serve para quem
“pretenda fazer uma dedicatória a António Lobo Antunes”. Se calhar
já não rasgo nada e vou tentar enviá-lo. Não altero, sequer, uma
vírgula. Depois se verá. Mas, pela tua saúde, não me leves a mal...
J. R.
por
Joaquim Barão Rato (e-mail de 13.05.2008)
Dr. Lobo Antunes.
Acabo de ler
uma crónica sua, na Visão, e de facto V. Exa. é um dos poucos
escritores nacionais - vivos - que se conseguem ler sem se ficar com
a sensação de que, quem escreveu o que se lê, não pensou minimamente
no que escreveu, escreveu aquilo que escreveu como podia ter escrito
qualquer outra coisa, no fundo são aqueles que “não desconfiam
sempre no caso das palavras” lhes chegarem depressa de mais.
Um dia
destes ouvi uma tal Dr.ª Rita Ferro, teoricamente escritora, dizer
que os seus livros são absolutamente ininteligíveis, - anda-se de um
lado para o outro para os perceber; pois eu digo-lhe que é esse
dita ininteligibilidade que torna os seus livros absolutamente
fascinantes, bons de ler e reler, de parar de ler para pensar o que
se leu, pensar no que se leu e retomar a leitura, em suma de os ler.
A leitura dos livros ditos inteligíveis – não sei se é o caso dos
livros de tal Sr.ª Dr.ª, pois nunca os li – deve ser uma actividade
maçadora, desmotivante, e boa para quem quer bater recordes de
leitura do tipo x livros por mês, ou para quem quer substituir
programas de televisão idiotas por livros igualmente idiotas, sem
ideias e rápidos de ler que é para o os “miolos” não torrarem nas
primeiras páginas.
Permita-me
que lhe diga, na senda da sua cónica: “Aguente-se” e escreva, pois
terá sempre quem leia com gosto.
Com os meus
cumprimentos,
Rodrigo
Simeão Versos
por
Rodrigo Simeão Versos (e-mail de 17.04.2008)
Não li muito de António Lobo Antunes, o suficiente para afirmar: o
principal objectivo dele é entender-se a si próprio, ler-se,
perceber-se, ver-se, analisar-se, comparar-se, olhar para dentro de
si, de todos os lados, em todas as perspectivas possíveis, consoante
o seu sentimento de cada momento. Na descoberta de si. O porquê de
sentir isto e não aquilo agora e não amanhã. Sinto o seu mundo
interior como a única verdade importante e necessária na vida. Ele
sofre imenso com essa forma de estar a vida. Mas e essa mesma dor o
motivo, ao mesmo tempo, da sua maior alegria porque sente que chega
lá. À verdade dele. (Só dele ou de todos nós?). Sou leigo na
matéria, felizmente, o que me obriga a senti-lo e a vê-lo só comigo
próprio, com aquilo que sou, penso e sinto. António Lobo Antunes é
um mundo, o meu mundo.
Luís Correia
por
Luís Correia (e-mail de 15.04.2008)
Dr. António
Lobo Antunes
Ouvi há uns
tempos, mas só agora tive coragem para escrever, a sua última
entrevista na RTP, e se já o admirava fiquei a “amá-lo”.
Pela sua
humildade, a sua timidez, o carinho dos seus olhos, tudo em si, um
misto de criança e adulto que nos faz sentir medo e ternura, uma
mescla tão profunda como o seu ser.
É delicioso!
Eu estaria toda a noite a ouvi-lo, a perceber nas entrelinhas a sua
vida como psiquiatra ( mesmo quando era pequenino e caminhava pelos
corredores com o seu pai), na guerra, enfim no amor. no casamento,
na amizade!
Não tenho
nem nunca tive ídolos na vida mas existe alguma coisa que me atrai
em si como escritor (“ninguém escreve como eu”), como homem, como
ser humano com princípios, com um carácter invulgar (creio que comum
à família) enfim, uma Figura que me enternece e que eu amo. Sinto-o,
quando fala, quando o ouço (pena é ser tão poucas vezes) quando olha
insistentemente para a pessoa que o está a entrevistar, ou quase a
querer fugir rapidamente dali para fora para seu alívio.
Gostaria de
o conhecer, de ter um pequeno texto seu sobre a sua faceta, essa … a
mais desconhecida… só para mim.
Manuela
por
Manuela Pinto (e-mail de 03.12.2007)
Eu hei-de
amar uma pedra e continuar a amar a tua obra. Obrigada por
existires.
por
Paula Dias (e-mail de 09.08.2007)
Olá Mestre:
Deixando passar a torrente incómoda de toda a situação
crítica e muito íntima que deve ter sido a sua saúde nos últimos
tempos, venho mais uma vez, porque já o fiz em ocasião anterior,
expressar-lhe o meu mais profundo agradecimento (e de toda a minha
geração) pelo que nos ensinou, pelo que nos acarinhou e pelo que nos
fez crescer com um conforto mínimo que é o das histórias.
Um amigo meu diz que um romance só está concluído quando
encontramos a sua voz. E essa pode ser um personagem ou um
pensamento. No seu caso, faltava-me dizer-lhe que admiro a sua
coragem na tentativa de encontrar o verbo, a voz da literatura,
aquele princípio onde tudo começou. O verbo a partir do qual tudo
começa a fazer sentido. Descobri isso ao ler Eu Hei-de Amar uma
Pedra. Demorei meses a digeri-lo e só lá para a página 300 e tal é
que acabei por ouvir a voz do romance. Mais vale tarde que nunca.
Despeço-me não fugindo ao lugar comum mas sincero de lhe
desejar rápidas melhoras, que tudo corra bem na perseguição ao verbo
e, quando o encontrar… deixe-nos espreitar um bocadinho. Um grande
abraço do seu sempre leitor
Artur Guilherme Carvalho.
por
Artur Carvalho (e-mail de 07.05.2007)
António Lobo Antunes,
O seu último Livro " Ontem não te vi
..." repousa na m/ mesinha de cabeceira. É o meu companheiro de
solidão.
OBRIGADA por existir e por
proporcionar aos seus leitores trabalhos de um tal calibre.
Obrigada.
Espero que goste e que,
pelo menos, tenha o mérito de o distrair um pouco:
Uma a uma as pétalas
arranquei
Olhava para ti
e sorria !
Que me amavas,
respondeu !
Olhando para ti ... Eu
sorria !
Teus olhos estavam
molhados,
Brilhantes de tanto
Amor,
... Me
beijaram com calor !
Teus olhos
estavam molhados,
de
COMOÇÃO e d' AMOR ! ...
por
Drª Maria Castilho (e-mail de 26.04.2007)
Quiero dar mucho
ánimo a António. Desde Sevilla, un apasionado lector que lucha y
sobrevive a un cáncer y un infarto (sobre todo leyendo, leyendo a
António Lobo Antunes). Con todo el cariño : Ánimo. (Perdón por no
expresarme en portugués, me gustaría muchísimo hacerlo, pero no me
atrevo).
por
Anselmo Ruiz de Alarcón Jaramillo (e-mail de 23.04.2007)
Gostaria de passar o meu voto de melhoras ao
nosso grande escritor António Lobo Antunes... amanhã terei o prazer
de participar numa homenagem a este grande senhor.
Obrigada
Cristina
por
Cristina (e-mail de 22.04.2007)
Caro António
Desculpe
tratá-lo assim, mas faço-o em nome de um encontro juvenil que
tivemos em 1958, do qual certamente se não recorda, e que em mim
deixou uma agradável lembrança (50 anos é assim tanto tempo?...).
No Carnaval desse ano, fui na companhia do meu irmão mais novo,
colega e amigo do seu irmão João no “Camões”, a um “assalto” na
vossa casa em Benfica.
Eu, que perdera
uns meses antes o meu avô materno, o único que conheci, médico e
republicano a quem venerava, e cursava já o 6º ano de História,
sentia-me um pouco deslocada, com os meus 16 anos, nessa reunião
de jovens “miúdos”. O António, não sei se o mais velho dos
rapazes, mas pela certa o mais “adulto” …nos seus 15 anos,
aproximou-se de mim, começámos a conversar e assim ficámos durante
todo o tempo que a festa durou. Diverti-me imenso com o seu humor
irreverente e o estilo um tanto “enfant
terrible” !!!
Nunca mais nos
voltámos a ver, porém quando publicou o primeiro livro passei a
acompanhar a sua actividade de escritor, hoje justamente
consagrado como um dos maiores da nossa língua.
Ao ler a
“Crónica do Hospital” na “Visão” de 12 do corrente, recordei este
pequeno episódio e senti vontade de lhe agradecer a lufada de ar
fresco que então trouxe até mim com a sua presença, desejando que,
vencida a tempestade, a Primavera traga, não só para os “pardais”
mas também para si, um merecido e bem-aventurado futuro!
Bia
por
Maria Valentina Mendes (e-mail de 21.04.2007)
António
Leio-o desde a
Memória.... e agora tenho o Ontem não te encontrei ... à cabeceira .
Sou viciada nos seus livros e adoro as suas crónicas. Gostava de
dizer que estamos todos consigo mas que em algumas fases da nossa
vida estamos irremediavelmente sós. Gostava de lhe poder dedicar um
poema mas não sou poeta, gostava de lhe dedicar um texto mas não me
saem as palavras certas. Obrigada pelos seus livros e estamos todos
à espera dos próximos.
Cristina Machado
por
Cristina Machado (e-mail de 19.04.2007)
Revejo-me
em tudo o que escreve nas suas crónicas. Tenho-as como um marco de
sensibilidade e como uma inegável referência literária. Percebo bem
o que escreve e o que descreve pois vivi nos mesmos espaços que o
senhor embora em alturas diferentes. Obrigado por me fazer rir e
chorar, por criar tantas sensações neste mundo cada vez mais amorfo.
Fausto Lopo de Carvalho
por
Fausto Lopo de Carvalho (e-mail de 17.11.2006)
Sempre
que leio os seus livros (deverei dizer meus?), sinto uma grande
sensação de paz, tranquilidade e muita nostalgia.
O seu
primeiro livro que li foi "O Manual dos Inquisidores". Li-o num
banco de jardim na Av. da Liberdade e passo a si talo "no meio de
todas aquelas estátuas sempre tão caladas" e a partir daí, não
consegui parar de ler tudo o que já escreveu.
Não me
peçam para explicar os seus livros, porque é algo de que não
consigo, seria arrogância da minha parte, até porque nem sei mesmo
se os entendo no seu todo. Só sei que não consigo parar de os ler.
Espero
que a minha filha um dia, venha a nutrir pela sua obra o mesmo que
eu e que não permita que os seus (meus?) livros acabem num
alfarrabista do Bairro Alto. Gostaria que os conservasse, mesmo que
não os leia, e que assim passassem de geração em geração, com um
lugar de destaque.
Obrigado
pelo muito que deu à literatura mundial. Acredito que haja muita
gente que, tal como eu, o admira muito e sinto um grande orgulho de
poder seguir a sua obra enquanto vivo. Em Portugal há uma grande
tendência de só se valorizar a obra das pessoas depois de mortas. É
bom não me incluir nessa lista. Muito obrigado por tudo aquilo que
me tem dado.
Paulo
Machado
por
Paulo Machado (e-mail de 10.11.2006)
Acabei de ver a sua entrevista na RTP e, depois de acabar fiquei
com a
sensação de que estaria ali toda a noite a ouvi-lo.
Obrigado:
*Pela sua humildade
*Pela profundidade que põe em cada palavra que sai da sua boca
*Por ser muito bonito por fora mas muito mais bonito por dentro
Helena Oliveira
por
Helena Oliveira (e-mail de 27.10.2006)
Meu escritor de eleição!
Gostava tanto de poder conversar dois minutos consigo só para
olhar de frente os seus olhos belíssimos!
Desejo-lhe tudo de bom, tenho por si uma simpatia imensa e
gostava muito que o meu filho um dia lesse os seus livros com o
mesmo prazer com que eu o faço!
Ler os seus livros é entrar numa outra dimensão!
Ana
por
Ana Martins (e-mail de 28.09.2006)
Apetece-me chamar-te Estrangeiro
mas não te sigo
é madrugada agora
e diluo-me de te não ter
Das janelas dos teus olhos
nasceu uma vela branca
e a tua língua
escorreu uma gaivota
Os teus braços
desfraldaram mares de espuma
e um medo azul
ancorou-me a este cais
onde acenas sem partir
Amanheceu e eu já não sou
A António Lobo Antunes
por
Conceição Ramos-Lopes (e-mail de 30.08.2006)
Neo-
Olhos de se cumprir
um pouco
Portugal
Prosa sem cabresto
Páginas de génio
pessoano
a quantas (?) décadas
de intervalo
Olhos de destilar
surrealismo
Ou álcool
O fascínio
de recônditas
etílicas
profundezas
Associações
para mim
tudescas
Longínqua herança
de azul
e laivos de ouro
Associações...
Ao Escritor
português meu fétiche.
Bruxelas, 1992
por
Conceição Ramos-Lopes (e-mail de 10.08.2006)
Este poema é para si.
Passam noites
passam dias
E essas
estrelas que vias
Ontem pela
noite no jardim
Se elas
pudessem chorar
Faziam
prantos por mim
Minha alma é
vagabunda
E não a posso
encontrar
Estou tão só
neste mundo
Que só o
quero deixar
Amargo é o
sabor que sinto
No trago da
minha vida
Vão-se os
dias vão-se as noites
E não
encontro a saída
Debrucei-me
no rio
Para ver além
do fundo
Vi as nuvens
passar
E vi-me em
outro mundo
Vi-me livre a
vaguear
No mundo do
esquecimento
De novo
voltei a olhar
E tudo me foi
diferente
Levantei meu
copo para a lua
E a lua não
quis aceitar
Era uma bola
de fogo
Que estava a
queimar
E fui-me
embora a chorar
Sozinha
desamparada
Como cega fui
andando
Para poder te
encontrar
E tu não
estavas lá
Já tinhas ido
embora
Ouvi no fundo
um murmúrio
D’alguém só,
d’alguém que
Chora...
Uma entre
tantas leitoras que o admiram, mas talvez com uma diferença: às vezes
gostava de estar aí sentada, muito quietinha ao seu lado só para o ouvir
pensar.
por
Augusta (e-mail de 06.04.06)
topo
|